sábado, 13 de outubro de 2012

Desconfie de quem não tem amigos


Li esta frase há pouco tempo, como post de alguém no facebook. E, por uma experiência vivida recentemente, conclui que é um sábio conselho.
 
Conheci uma criatura há tempo atrás. Ombros curvados, pés arrastados. Discurso de quem está sempre disposto a ajudar. Olhar de quem esconde segredos. Após três dias seguidos conversando com a mesma pessoa, declarava o seu amor ou adoração.
 
Um dia me disse “não tenho amigos”, a causa do abandono? Motivos estéticos, justificou ele. Mas na correria do dia-a-dia, pensei que era apenas um exagero, carência, forma de chamar a atenção.
 
O tempo me mostrou que era um chantagista emocional. Te elogiava pela frente e fazia fofocas maldosas (quando não mentirosas) pelas tuas costas. Seu desejo não era ter amigos, mas manipular os que estavam a sua volta para ter atendido os seus próprios desejos, todos alimentados por uma imensa inveja e complexidade.
 
Só que ter amigos não é ter fantoches. E o verbo a ser conjugado não é o ter, e sim o ser.
 
Ser amigo é saber escutar o outro, dividir segredos e dúvidas, dar conselhos sem tentar impedir que aquela pessoa viva as próprias desventuras. Ser amigo é emprestar o ombro para chorar, compartilhar gargalhadas, ou até mesmo uma pizza numa hora extra de trabalho. Ficar horas no telefone ou a tarde sentado em uma praça falando só de filme, futebol e novela.
 
Amizade verdadeira não é corroída pela inveja, e sim alimentada pelo orgulho de ver o amigo vitorioso. Não é tentar gerar fofoca para separar outros amigos, e sim saber dividir o espaço para conquistar o seu.
 
E por não respeitar estes princípios, que a criatura do início deste texto acabava sozinha. Naturalmente o caso é extremo, de alguém que precisa de tratamento. Mas não deixou de ser um exemplo, para os que estiveram próximos e se libertaram de suas amarras, do que é realmente uma amizade.

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