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sábado, 23 de abril de 2016

Relatos Selvagens


Um copo cheio.
Sem espaço para a paciência ou tolerância.
Como um touro em uma arena, a fúria toma conta do corpo e da alma.
Ou é fria como o prato favorito da vingança.

Um dia de fúria?
Fica no chinelo ao ser comparado com as seis histórias deste filme argentino.

Sangue, sexo, corrupção, poder, injustiça, traumas, traição. Está tudo lá. Até mesmo um heroísmo inusitado, ou complexos não tratados. A mágoa que vira veneno, a falta de controle que pode terminar em um abraço rumo a eternidade.

É louco. Mas assustadoramente perto da nossa realidade. A primeira história já avisa o telespectador que tudo pode acontecer. Curiosamente é uma das minhas preferidas, junto com a do engenheiro multado (que curiosamente lembra o filme americano citado acima) e da festa de casamento.

Para saber, só vendo, não dá para detalhar muito, senão estraga. Eu recomendo.





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Salvando a noite de domingo com risadas e lágrimas


E nesta semana a Net liberou o Telecine e a noite de domingo foi salva por dois filmes diferentes, mas muito bons.

Começo com o brasileiro De Pernas pro Ar 2, uma mistura de DR* com mulher bem sucedida profissionalmente tendo como pano de fundo uma loja de produtos eróticos.  O filme é uma comédia bem estruturada, com ótimo elenco e cenas bem engraçadas.

Mas o que me chamou a atenção na história foi a questão do apoio (ou falta dele) quando a mulher atinge sucesso profissional. A personagem Alice incorpora tudo o que é exigido das mulheres hoje: ser boa profissional, boa mãe, boa esposa, estar em forma... a questão é ter tempo para administrar tudo.

E entre uma risada e outra fica a pergunta: o que priorizar? No que investir? Quando lutar e quando desistir? Conforme uma personagem da história, o que atrapalha são os homens. E um novo leque de dúvidas se abre: Qual homem atrapalha? Aquele que não incentiva a esposa? O que não ajuda em nada? O que exige demais?

Quem disse que comédias não nos levam a pensar.


Logo após veio “Impossível”, filme espanhol que conta a história real de uma família que sobreviveu ao tsunami na Tailândia. O filme que teria tudo para ser piegas é emocionante, com exceção da propaganda de uma empresa de seguros no final, que ficou parecendo até deboche ao ser anunciada em tom alegre pelo agente enquanto a família se arrastava em trapos.

No momento do desastre a família estava na piscina do resort, a água invade e os separa em dois grupos, a mulher com o filho mais velho e o homem com os dois pequenos. O caminho dos dois primeiros é bem mais difícil. Ela se machuca, e graças à ajuda de moradores locais, consegue chegar ao hospital. Para que o filho mais velho se distraia, ela o manda ajudar os demais. O menino corre pelos corredores lotados, gritando por nomes e tentando fazer conexões. Quando retorna, não encontra mais a mãe. Ficando em uma barraca junto com outras crianças, sem lembrar o telefone de ninguém que esteja fora dali.

O pai acaba deixando os menores com um grupo para sair em busca da esposa e do mais velho. No seu caminho muito choro enquanto se pega carona de um ponto a outro. Corpos ensacados, hospitais e barracas estão espalhados no que sobrou de um paraíso.

O filme termina, mas o coração não desaperta. Existem pessoas que o ponto de interrogação continua. E isso é mais doloroso por saber que nada é ficção. Talvez por isso a imagem com o bilhete de nós estamos na praia acabe nos acompanhando por muitas horas.


*DR = Discutir a relação