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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Uma sexta sem cor


Um homem-criança que sorria de orelha a orelha ao contar suas histórias.
Com o seu jeito gentil e querido era capaz de fazer uma roda de adultos voltarem à infância.
Suas aulas sempre serão alegres recordações em meu coração que hoje está triste por saber que não haverá novos livros, muito menos novas contações de história na feira do livro e muito menos sessões de autógrafos para um reencontro.
Vá em paz menino de livramento.
E obrigada por ter feito, mesmo que por um período tão curto e ao mesmo tempo tão marcante, parte da minha vida.

* O escritor, jornalista e professor Carlos Urbim ministrou aulas de narrativa infantil no extinto curso de Formação de Escritores e Agentes Literários, onde tive o prazer de conhecê-lo e descobrir que também consigo colocar a imaginação para funcionar neste universo tão único.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Bom dia, 2015



Você está apenas engatinhando, mas ao contrário dos anos anteriores, não espero nada de ti. Optei em rever o passado para viver melhor os teus dias.

"Tempo tempo tempo mano velho"

Não o tive, nos últimos meses ele foi ocupado quase que 100% pela obrigação e pelo cansaço.
E cá ficou o blog e quase tudo o que eu gosto esperando o depois.

"Não é o ano que muda, somos nós que devemos mudar"

Muitas mensagens propagavam isso nas redes sociais antes e após a virada. Para alguns parece desesperança, para outros, um desafio.

Optei em encarar pelo desafio. O que devo mudar? O que deve permanecer?

"Desapega, desapega"

Limpar. Tirar do guarda-roupa o que é antigo. Rever o meu estilo. Simplificar. Separar no escritório o útil do inútil.

"E em 2015 eu não vou me perder por ai"

Redescobrir para saber onde está. Saber o que acontece fora da redoma onde andei nos últimos dois anos. Rever os objetivos e ver quais ainda estão de acordo com a realidade. Parar de se cobrar resultado pelo que não me dá retorno.

"Cada um no seu quadrado"

O mais difícil. Parar de julgar e me irritar com aquilo que considero errado. Muitas coisas me magoaram em 2014, coisas que não possuem remendo. Filtrar mais as informações que recebo, aprender a conviver com as injustiças e principalmente, manter a boca fechada quando as palavras irão apenas bater em portas fechadas.

"O Mundo de Bob"

Então fica combinado. Menos stress e sapos. Botão de desliga quando o único resultado será dor de estomago ou cabeça. Como ouvi na véspera da virada ao tentar alertar uma pessoa: cada um com os seus problemas.

"Resumo da ópera"

Se for para eleger um objetivo, é o de se tornar mais leve. Menos perfeccionista e mais otimista. Menos rugas e mais sorrisos. Para uma legítima capricorniana, é difícil, mas acho que vale a pena.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Tchau Fevereiro

Ouvi a seguinte frase um dia desses:
Março tem carnaval
Abril tem páscoa
Junho copa
Outubro eleições
Dezembro eh natal
Pronto, acabou o ano

Com a rapidez que nos despedimos de fevereiro, tenho a impressão de não estar acompanhando o ritmo do relógio. Parece que estou sempre correndo atrás, sendo atropelada pelos acontecimentos sem conseguir colocar nada em prática.

Fica a tentativa de cumprir as promessas de ano novo, os jornais acumulados e um sinal de que talvez isso não seja preocupante.

Quem sabe eh a chance de começar um novo estilo de vida? Onde não se tenta fazer de tudo, mas o que se faz eh com mais cuidado e prazer?


Uma nova maturidade para quem atravessou a linha dos 35? Só o tempo dirá.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ano novo, vida igual?

Primeiro dia útil (?!) do ano e todo mundo colocando em prática a sua lista de mudanças? Duvido. Eu mesma comecei o ano quebrando coisas que eu havia prometido parar. Não adianta, quando bate a meia-noite nada muda por mágica. É preciso mais do que um novo ano, é preciso ter força de vontade.

Então sim, acordei resolvida a colocar algumas coisas em prática. A primeira é a reeducação alimentar. Não, não é dieta. É comer de forma saudável, mas fugir de doces, pizzas, pão, e todos aqueles itens que só servem para agradar ao paladar e encheremos quadris. Sim, vou ter o dia do lixo, não sou de ferro, mas vou tentar entrar nos eixos, pois os meus joelhos começaram a gritar.

Outra resolução é aproveitar o presente. Tenho memória de elefante (culpa do excesso de maças consumidas ao longo dos anos), o que me faz ter uma carga um tanto excessiva de mágoa e rancor. Então uma coisa que preciso aprender em 2014 é a arte de perdoar. Isso não significa que deixarei as pessoas me fazerem de boba ou repetirem ações que me machucarem, apenas não irei mais pensar nelas e em seus atos. Sem aguardar o momento para dar o troco. Sem respostas rápidas e agressivas. Cada um em seu canto e em paz.

Tenho o hábito de planejar em excesso para um futuro sempre distante, já deixei de fazer várias coisas para não gastar, me privando de realizar alguns desejos. Já faz um tempo que venho trabalhando isso e aproveitado um pouco mais. Mas em 2014 quero viver ainda mais intensamente o momento, pois existem coisas que não voltam.

Resumindo, as minhas resoluções não se referem a bens materiais, estudos ou vida profissional, embora tudo isso seja afetado indiretamente. Meus objetivos são egoisticamente relativos à minha alma e ao meu corpo. Afinal, para amar o outro é preciso se amar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Minha decepção musical de 2012


 
Fazia anos que eu não tinha um ano assim, cheio de revelações que me partem o coração e alimentam a minha desconfiança. Não que tenha sido um ano ruim, pelo contrário, também realizei sonhos e estou inclusive vivendo um, mas o que isso tem haver com o título deste post?
Desde a minha pré-adolescência eu sonhava em ver um show da rainha da música pop Madonna. Álbuns de fotos, discos, fitas, cd’s, pôsteres, enfim, tudo o que envolvia a diva despertava o meu interesse. E ao ver pela tela da televisão shows como Blonde Ambition e The Girlie Show me instigavam a estar lá, na primeira fila.
Anos literalmente se passaram e ela veio a Porto Alegre. Despedida do Olímpico Monumental. Dois acontecimentos marcantes, duas paixões, e o desespero para conseguir o ingresso. Mas não deu. Juntei daqui e dali e tinha o suficiente para comprar direto, sem intermediários, mas eles haviam acabado e aquela famosa frase de padaria me veio à cabeça ”O sonho acabou”.
Mas como já previa o meu marido, em uma promoção, acabei faturando ingressos de pista simples. Assim, dia 09 de dezembro lá estava eu exibida com a minha barriga comprando uma camiseta XL com foto da minha ídola mor.
Só que a bela resolveu atrasar quase 4 horas, e para quem estava acomodada lá no cantinho seguro do fundão, foi possível observar o quanto de energia do público se perdeu. Playback escancarado, e a desculpa de um resfriado, Madonna não empolgou aqueles que foram vencidos pelo cansaço, pois ela mesma parecia estar ali por estar.
Depois de mais de 20 anos esperando para pisar no mesmo local da rainha da música, acabei saindo durante uma das músicas que mais gosto: Like a prayer. A dor nas pernas, costas e barriga, somado ao desrespeito pelos fãs (e neste caso sou obrigada a dizer a Madonna que Lady Gaga realmente não é ela, pois esta última não deixou os seus monstros gaúchos esperando), fizeram toda a paixão que resistiu a juventude e boa parte da idade adulta esfriar.
Brinco que só não fiquei furiosa por que não gastei com o ingresso, embora o valor do estacionamento e do cachorro quente com salsicha fria tenha sido um roubo, pois se eu houvesse gasto o valor da pista Premium por menos de duas horas de um espetáculo onde o astro principal era o palco, com certeza teria ficado ainda mais desapontada.
Fico então com a Madonna da década de 80 e 90, cheia de atitude, energia, fôlego e carisma. Às vezes admirar a distância faz mais bem.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Saindo do Ninho

O que torna um lugar o nosso lar? As histórias que vivemos? Conquistas e derrotas? Saber voltar sem GPS independente do dia e hora? O primeiro pensamento quando sentimos necessidade de proteção?

Mas, e quando além da casa física, lá está, como no meu caso, a figura da mãe? O café na mesa, a cama arrumada, a roupa passada, cafuné para os dias de cólica, o beijo de boa noite?

Só que a natureza nos manda crescer. Um dia encontramos uma pessoa com quem gostamos de dividir todos os momentos e lá pelas tantas casamos, seja da forma oficial ou o famoso morar junto. E a voz do povo já diz: quem casa quer casa.

Demorei três meses para chamar a minha nova moradia de casa, mesmo indo com frequência para ajustar tudo. Ir pra casa, ainda é, literalmente, ir para a casa da mamãe.

E agora que está chegando o grande momento, de pegar as coisas e se mudar em definitivo, virar adulto, ser responsável por limpar, organizar e dividir o gerenciamento de uma nova família. Cortar o cordão umbilical invisível.

Apesar de já não ser tão jovem, é impossível não sentir o frio na barriga. A criança que existe em mim pergunta se não posso adiar mais um pouquinho? A mulher cruza os braços e afirma que já passou da hora.

Enfim, as mudanças na vida adulta também são doloridas, embora recompensadoras. Por isso é hora de colocar todas as desculpas de lado e sair de uma porta para entrar inteira pela outra.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Vampiros emocionais

Um tempo atrás ouvi esta expressão que caracterizava aquele tipo de pessoa que exige muito de quem está ao seu redor sem dar nada em troca. A principal tática do vampiro emocional para sugar a sua alma, é a utilização da chantagem e da culpa para te convencerem a agir da maneira que eles desejam.

Este tipo de pessoa também costuma desdenhar e elogiar o próximo, como uma forma de te deixar abaixo e próximo a ele ao mesmo tempo. Afinal, você não é perfeito, mas tem uma determinada qualidade que o vampiro admira. E como ele se diz teu amigo, nunca irás desconfiar que exista outro interesse além do seu bem-estar e não uma inveja latente ao qual você não entenderia a razão.

Tenho a impressão que eles estudam, analisam e testam aqueles que irão atacar. Quando julgam que a vítima já perdeu a consciência, começam a cravar os seus caninos em suas almas. Este é o momento em que você pode acordar. Pois uma leve dor é sentida e a maldade é latente. Seus pontos fracos vão estar expostos e as cordas que irão te transformar em marionete desta criatura estão visíveis.

Já me deparei com diversos vampiros emocionais nestes meus trinta e poucos anos. Alguns nada sutis, outros mais envolventes que a cobra que tentou Eva no paraíso. Muitos me feriram, mas nenhum capturou a minha alma. Sofri mais tentando tirar outras vítimas de suas garras e curando as suas feridas.

Mas ainda não descobri se existe algum antídoto para fazer este monstro ficar escondido em dias de sol. Principalmente quando os seus ataques te pegam em um dia mais frágil, em que morder a língua é necessário, mas enxugar as lágrimas se torna inevitável. Então por enquanto me cerco das pessoas que realmente me amam e me respeitam, pois elas são o meu melhor escudo para evitar um confronto direto ou ceder aos argumentos de quem só quer te derrubar.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Eu queria uma máquina do tempo

Eu queria uma máquina do tempo que me fizesse voltar ao dia em que escolhemos o banco em que iríamos realizar o financiamento, sabendo que a primeira pergunta que eu deveria fazer aos outros bancos não era o valor da taxa, mas se eles tinham parceria com a mesma assessoria de crédito imobiliário da construtora.

Eu queria uma máquina do tempo que me fizesse retornar ao momento em que escolhemos o nosso apartamento, e assim não fechar negócio.

Eu queria voltar no tempo no momento em que resolvi trocar de carro, e naquele momento não comprar uma bala sequer, e economizar tudo para comprar a minha casa ou apartamento à vista.

Mas não existe uma máquina do tempo, apenas a dor que faz com que eu chore convulsivamente enquanto escrevo estas palavras. No momento nada pode aliviar a frustração que eu sinto por ver todo o nosso processo de compra do que deveria ser o nosso primeiro lar se transformar em um recordista de erros.

Casar e não poder dividir o mesmo teto com a pessoa escolhida, ter um imóvel em seu nome e não saber onde vai morar no mês de fevereiro. Estar numa corrida contra o tempo e vendo todas as suas chances diminuírem mês a mês.

E eu que resolvi iniciar 2011 tendo mais fé nas pessoas, chego nos seus dias finais não tendo mais fé nem em mim mesma.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quando nem o sinal de fumaça aparece

Hoje o dia foi especialmente confuso. Entre o meu recente vício por Kit Kat, orientação ao pessoal novo, aposentadoria do REM e decisões que eu não estava preparada para tomar, fica difícil qualquer coisa aparecer no meio da confusão.
Uma amiga me disse que o marido lhe trouxe um livro bem legal, chamado “Por que os homens se casam com mulheres poderosas”. Nestas últimas semanas eu confesso, não queria ser poderosa, queria ser dondoca.
Meu cansaço é extremo. Não consigo nem entrar em crise. Acho que nem ritalina prende a atenção. A dor de estômago voltou a ser minha amiga diária, e os livros seguem abandonados junto de milhares de papéis que ocupam minha pequena mesa.
Tendo enxergar um sinal, mesmo que seja de fumaça, para me orientar no meio dessa confusão, mas ou os óculos estão embaçados, ou estou tão soterrada que nem ela consigo enxergar.
Mas chega de conversa e me vou enfrentar meus monstros, nem que seja através da agenda, o GPS manual do meu mundo atual.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Voltando a infância





Me senti com oito anos de idade ao ler a manchete “Smurfette vira modelo”. Sim, a moça azul, bendito ao fruto em uma aldeia só de homens, dá o ar da sua graça nas páginas da revista “Harper's Bazaar”, com acessórios de peso que fazem a Andrea de 2011 babar.


Meus preferidos foram o sapato dourado (Lanvin), a maravilhosa bota vermelha (Louis Vuitton) e a boina branca com detalhes pretos (Marc Jacobs).


O detalhe de toda essa história é que a desligada aqui não sabia que Papai Smurf e sua turma estão de volta em um filme que deve estreiar em agosto nos cinemas brasileiros. Para quem nunca ouviu falar, eles são criaturinhas azuis (duendes) que vivem em casas que são cogumelos. A grande ameaça é o bruxo Gargamel e o seu gato Cruel, que vivem caçando os pequenos.


Aos baixinhos da Xuxa que acompanharam as aventuras dos smurfs, resta saber se a aventura na tela grande terá o mesmo o gostinho da infância.


Fontes de pesquisa e fotos: Donna On-line, Marie Claire, Folha de São Paulo

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Esquecer



Li em uma revista que um dos passos para ser feliz é esquecer todas as mágoas. Tem sentido e acho uma ação muito fácil...na teoria. Todos nós temos algo que nos incomoda no passado. Pode ser aquele “eu te amo” trancado na garganta, uma questão assinalada errada, um atraso de cinco minutos, uma ida ao banheiro quando o telefone tocou. Isso é esquecido quando se encontra um novo amor, se é aprovado em outro teste ou se recebe um novo telefonema com notícias bem melhores.

Mas existem fatos que não podem ser esquecidos. Cuja mágoa é colocada lá no fundo do coração, longe do cérebro, numa tentativa infantil de ser esquecida pelos pensamentos. Mas um belo dia, uma situação, filme, comercial de margarina ou até mesmo a TPM clássica funcionam como um gatilho. A dor volta, as lágrimas escorrem, e velhas questões nos atingem como um caminhão. Neste momento não é possível ser racional, mas quando se consegue ter um leve momento de lucidez, podemos perceber o quanto aquele grão ainda interfere nas nossas decisões e julgamentos.

Esquecer o superficial é fácil, mas apagar uma perda é impossível. Talvez uma lobotomia. Mas a verdade é que só o tempo nos resta, para amadurecer e crescer, e assim aprender a não deixar essa dor interferir nas decisões do presente e aumentar ainda mais o sofrimento no futuro. Ao contrário do que diz a revista, nem sempre podemos esquecer e algumas vezes a lição a ser aprendida não é nossa.

Nesta questão sem solução, talvez o melhor seja se deixar chorar, para depois lembrar de tudo de bom que nos cerca e buscar um sorriso na nossa própria face como se fosse um arco-íris após a tempestade.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Na Corrida

Enquanto corro de um lado para o outro, fico sem textos para colocar no blog. O pior é que tanta coisa aconteceu nos últimos dias, como o casamento temático (amei), o aumento na gasolina (odiei), o fim do Big Brother (aleluia), feira das noivas (me decepcionei), feira da Barbie (perdi), e outras cositas mais.

Então enquanto eu corro atrás de fotógrafo e sonorização, o Nirvana vai me embalando na direção e o livro A Besta Humana do Zola me acalma antes de pegar no sono (algo muito fácil nos últimos dias).

Vou me esforçar nessa semana para fazer as coisas renderem mais.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Besteiras do meio-dia

Estou ansiosa. Terrivelmente ansiosa. Talvez por 2011 ser o ano de tantas coisas terem que acontecer, mas o desenrolar me parece tão lento. Ao mesmo tempo olho o calendário e vejo que já estamos praticamente no mês de janeiro e nada foi definitivamente providenciado.

De que raios estou falando: do apartamento que teve a entrega atrasada, do casamento que não tem nada reservado, das milhares de coisa que preciso fazer. Do fato de ter economizado bastante e não ter ficado rica (chegando a conclusão que está certo quem aproveita o dinheiro e não deixa a vida passar).

Sinto que os 33 trazem estranhas mudanças em mim, e isso me deixa ainda mais ansiosa, mas isso não me faz atacar uma barra de chocolate, pelo contrário, chego a ter repulsa só de pensar (eu não disse que estão ocorrendo estranhas mudanças em mim?).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Nem nos meus sapatos

Toda a mulher tem fascínio por sapatos, de preferência com saltos bem altos e detalhes diferenciados. Algumas chegam ter centenas de pares desse objeto que caminha entre a necessidade e o fetiche.
No meu caso sapatos são objetos de desejo e inveja. Calma, não se assuste, já explico a razão de um termo tão forte. Minha inveja se refere a quem pode utilizá-los. Sim, pois compro no máximo um sapato por ano, visto que é quase impossível achar um que se adapte aos meus delicados (para não dizer anormais) pés.
Estou quase firmando uma sociedade com a band-aid de tantos que utilizo no verão, visto que até as chamadas sandálias da linha confort provocam bolhas nos meus dedos e calcanhares. Quando se trata das normais, consigo a proeza de chegar a cortar aquela parte fofa embaixo do pé.
Já me disseram que tudo é questão de hábito. A sugestão é me tornar masoquista, abandonar os meus fiéis tênis e suportar até o pé ganhar resistência. Embora não seja promessa de ano novo, estou tentando. Mas como ninguém me disse que não poderia tirá-los, estou agora com eles livres, leves e doloridos, enquanto a minha sandália carrasca aguarda próxima a minha menor necessidade de deslocamento.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Entre árvores e bons velhinhos

Fazia algum tempo que eu ignorava o espírito de natal e acabava me estressando com as compras de última hora no mercado (e suas filas quilométricas) e com os presentes. O dia 02/01 trazia uma espécie de alívio depois de uma exaustiva passagem de ano.

O que mudou em 2010? Um final de semana em Gramado. Ao atravessar uma rua no meio da tarde de sábado é possível se deparar com um ônibus cheio de senhores vestidos de vermelho e com longas barbas brancas. Todos sorriem e abanam com firmeza e calma que lhe são características.

Eles também podem se tornar gigantes, caminhando pelos pontos turísticos e sendo vistos de diversos pontos.

Mas o momento sublime ocorre às 21hs, quando a cidade está com todas as luzes da decoração apagada. A grande árvore começa a se iluminar aos poucos até que bum, tudo se ilumina e é impossível segurar o sorriso. O grande “AH” que quebra o silêncio indica, todos voltaram a ser criança.

Quando retornei no domingo, estava com o meu espírito natalino acordado, desejoso por uma árvore com bolas coloridas na sala, bonitos pacotes de presente e uma mesa cheia de amor e carinho e é claro, uma folha de calendário para fazer a contagem regressiva, afinal, o que Papai Noel irá me trazer?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Férias e Tempo

Coitado do meu blog. Depois que sai em férias o coitado ficou abandonado, jogado as traças. Já voltei e ele continuou parado... mas as coisas se tornam complicadas quando o seu retorno é num dia de tempestade, até o arco-íris dar as caras, você já está implorando por uma nova folga.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Objetivos

Como 99% da população, aproveito o mês de Dezembro para fazer um balanço das coisas. Depois de três anos sofríveis, 2009 me trouxe um feliz saldo positivo. Posso dizer que cheguei aos objetivos principais sem serem postergados ou riscados.

Mas 2010 terá um objetivo diferente... claro, vou seguir com os velhos planejamentos de aquisições (afinal, vou me casar) e economias em geral, mas um é o de me redescobrir. E isso inclui muitas coisas.

A primeira é emagrecer, e desta vez, fechando realmente a boca. O anúncio já foi feito, a partir de 04/01/2010 não como mais doces nem tomo refrigerante. A segunda é relaxar, não me estressar mais, já que nem ganho pra isso. E a terceira é enterrar o passado, formatar o compartimento do meu HD que guarda lembranças ruins para que tenha muito espaço para as boas que já estão acontecendo.

Sei que ainda temos mais de 20 dias para a chegada do novo ano (ao qual, acreditem, irá passar num piscar de olhos), mas já estou abrindo os meus braços para o novo ano e nova mulher que chegam!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Oh Pai

"É engraçado o jeito
que você se acostuma
com as lágrimas e o sofrimento
Em que uma criança irá acreditar?
Você nunca me amou"

No disco Like a Prayer de 1989, Madonna gravou essa música que era um desabafo sobre o relacionamento que ela própria havia tido com o pai. O que eu não imaginava era que o clipe que havia me emocionado aos 11 anos de idade iria refletir tão bem os sentimentos que envolviam a mim e ao meu próprio pai ao longo de 29 anos.

"Talvez um dia
Quando eu olhar para trás
eu poderei dizer
Você não queria ser cruel
alguém te machucou também"

Meu pai veio de uma família sem amor, onde visitas são obrigações sociais e o sucesso é como uma desgraça, como se fosse feio ter carreira e uma vida estruturada. Mas minha mãe criou uma base sólida para a nossa pequena família e impedia que ele trouxesse essa ignorância ao extremo. Por isso, na minha formatura, ele encontrava-se furioso. Ter a única filha diplomada não era nada perto do jogo de futebol que ele estava perdendo. Mas não me importei, afinal, aquela conquista não tinha colaboração dele (nem mesmo financeira) e eu já estava acostumada com o seu jeito grosso e sem educação. Se ainda o respeitava, era simplesmente pelo fato de minha mãe o ter escolhido para companheiro por toda a sua vida.

"Você não pode me machucar agora
Eu fugi de você, nunca pensei que conseguiria
Você não pode me fazer chorar
Você já teve esse poder
e agora nunca me senti não bem comigo mesma"

Mas um belo dia ele partiu. Resolveu que não era feliz. Na verdade ele havia encontrado uma mulher semelhante a ele. Não houve beijo ou abraço, ele simplesmente passou por mim e disse tchau.

Hoje, faço terapia. Após fazer uma análise da família, a psicóloga disse que ele apenas repete um círculo vicioso herdado de seus pais. Questiona se desejo encontra-lo e digo que não. Pois uma paz reina em nosso lar agora.

A recuperação da estima é lenta. Feridas que são mantidas abertas anos a fio demoram para cicatrizar, mas esse dia vai chegar e finalmente irei cantar o último refrão dessa música com mais convicção do que agora.