segunda-feira, 18 de março de 2013

O que fazer com os cabelos?



Visto que irei precisar de um corte de cabelo prático em breve, comecei a dar uma olhada nos curtinhos. Para quem é crespa como eu, o cuidado é redobrado, pois como cachos costumam ser rebeldes, a linha entre a facilidade e o trabalho redobrado podem se tornar uma linha tênue.

Fiz uma rápida pesquisa no “tio” Google e vi que os curtíssimos estarão em alta no inverno, mas em um estilo despojado. Com isso separei alguns modelinhos para ver se crio coragem e divido com vocês.



O novo corte da Taís Araújo me parece super prático, e imagino que nos primeiros meses não role muito stress para ajustar. Mas fiquei pensando como seria na hora de deixa-lo crescer novamente.






Esse eu achei uma graça, principalmente o primeiro. Fiquei com a impressão que eles permitem o cabelo crescer sem ficar totalmente bagunçado.

  


Já o da Camila Pitanga exige uma progressiva e uma escova diária, o que gera um tempo de cuidado maior do que o desejado.


Esse já foi utilizado e aprovado. Mas estou com aquela pulguinha do deixar como estar (por estar fácil de amarrar) ou deixa-los bem curtinhos, para não atrapalharem. Tenho até abril para resolver essa dúvida cruel. Ou não.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Itinerário



“Que calor”, foi o meu primeiro pensamento antes de abrir os olhos. Uma estranha claridade iluminava o ônibus. Olhei pela janela: a estrada era de chão batido e levantava uma estranha poeira avermelhada. Mas, como isso era possível? Era uma viagem de quarenta minutos do trabalho até em casa. Deveria ser noite ainda.

A mulher ao meu lado me olhava assustada. “Aonde foram os outros?”, perguntou num sussurro. Levantei a cabeça. Os estudantes que sentavam na parte da frente haviam sumido. Eles me acordavam. Sempre. Meus alunos sabiam do acidente que havia levado o meu marido e o meu filho. Eu era a motorista. Nunca mais consegui dirigir. Nem me manter acordada dentro de um veículo.

“A porta de acesso ao motorista está emperrada”, informou o ocupante mais à frente. “Avisa que temos uma pessoa passando mal”, exclamou outro. Um rapaz encontrava-se desmaiado. Seu corpo dava pulos, como se algo o puxasse para cima. “O motorista disse que já vamos parar”, respondeu o primeiro.

Fiz uma contagem. Dos vinte passageiros, apenas oito estavam ali, mais o motorista e o seu acompanhante. “Para onde estamos indo?”. A moça ao meu lado me respondeu: “Parece que estamos indo para a aldeia onde mora a minha avó...”

O ônibus parou. Estávamos no meio de uma aldeia de colonos. “O motorista disse que há um pequeno armazém aqui. Podemos tomar água e procurar algo para o nosso amigo”, disse um senhor apontando para o rapaz desmaiado, cujo corpo ainda se sacudia.

Desci. Sentia muita sede. Muito calor. Como se estivesse pegando fogo. Atrás de um balcão de madeira bruta um rapaz nos atendeu. Nos entregou seis garrafas de água. Pensei em corrigi-lo, mas a minha colega de poltrona não estava lá. Conforme bebia, senti o meu corpo esfriar, ficando apenas a sensação inconveniente da roupa grudando no corpo.

Uma voz que não me pareceu estranha nos chamou. “É o motorista”, exclamou uma moça pequena que, junto com o marido, sempre pegava o ônibus na sexta. Por um momento achei que a voz fosse de outra pessoa... bobagem minha.

Entramos, e a minha colega havia sumido. O ônibus arrancou e eu gritei “Espera, ainda falta uma pessoa”. “Não, minha cara”, respondeu um senhor, “olhe pela janela, ela chegou ao seu destino”. Ao olhar vi a moça abraçada a uma senhora. Ela chorava muito e beijava o rosto enrugado como se não a encontrasse há muito tempo.

“Hei!”, exclamou outro passageiro, “o rapaz desmaiado sumiu”. Naquele momento éramos seis - eu, um casal, um rapaz que nunca tirava o boné, um senhor idoso e uma outra professora, que eu conhecia só de vista.

“Olhem pela janela”, disse a professora, “a paisagem está mudando”. Corremos para as janelas, entrávamos num túnel verde, muitas árvores e flores. O frio começou a tomar conta do meu corpo. Senti até a alma gelar.
Do nada o ônibus parou. A porta se abriu e nela todos viram uma trilha que parecia levar a uma casa amarela, com uma cerca marrom. O casal nos pediu licença. Chorando tanto quanto a moça abraçada à senhora, eles desceram e seguiram a trilha. A porta se fechou, e eu corri de janela em janela até perdê-los de vista.

As árvores foram substituídas por pastos. Vacas caminhavam lentamente e cavalos corriam de um lado para o outro. O ônibus freou de surpresa e a porta se abriu. Um homem jovem, com um chapéu de palha, apareceu na porta. “Venha, meu filho” disse estendendo a mão para o idoso. O senhor ajustou a bainha da calça e se levantou lentamente. Desceu as escadas e, somente após um suspiro, colocou sua mão sobre a outra, estendida. Os dois se abraçaram e a porta se fechou. Olhamos pela janela dos fundos e vimos apenas o homem e uma criança caminhando. A bainha da calça do menino havia caído. Enquanto ele se abaixava para arrumá-la o homem tirava o chapéu de palha e colocava na cabeça do menino.

“Que loucura”, murmurava o rapaz mexendo freneticamente no seu boné. Quando nos olhou, parecia estar vendo através de nós. Com desespero, ele foi até a alavanca de emergência e soltou uma janela. Quando o vidro caiu, ele se atirou. Corremos em direção ao vão da janela. Não havia mais pastos e sim um grande rio. Estávamos atravessando uma ponte. Ele havia desaparecido no meio das águas. Só o boné havia ficado visível.

A professora se virou pra mim e me abraçou. Com a voz embargada me disse “Boa sorte no seu novo caminho. Você irá dirigir por ele”. Não entendi suas palavras. Mas não houve tempo de perguntar. O ônibus parou e a porta novamente se abriu. Ela desceu em um parquinho. Com um sorriso no rosto, virou-se e me abanou. Antes da porta se fechar, pude ver cinco crianças a abraçarem. Algumas parecidas com ela. Como podia ser? Todos sabiam que ela não conseguia engravidar. Depois do quinto aborto havia desistido de ter filhos.

Nesse momento tudo clareou. O ônibus agora estava passando por uma praia. “Pare” gritei. O ônibus parou, mas a porta não se abriu. Não sabia o que estava acontecendo. Tinha uma estranha certeza de que eles estavam ali.

A porta do motorista se abriu, e a voz que tanto amei durante a vida inteira debochou: “Eu disse para eles que você seria a última a entender”, logo em seguida um pequeno foguete correu em minha direção, “Mamãe, mamãe, você vai ficar com a gente agora?”. “Vou”, foi a resposta natural que surgiu na minha boca após sentir aqueles pequenos braços ao redor do meu pescoço.

A dúvida ainda me assolava. Com a criança em meus braços o encarei, como quem faz uma pergunta. “Um caminhão bateu na traseira de vocês. Os estudantes e o rapaz desmaiado foram retirados vivos, mas os outros não resistiram à explosão”.

Saí do ônibus de mãos dadas com o meu marido e com o meu filho. Caminhando em direção ao mar e observando o horizonte. Eles me encaminharam até um carro, me deixando o banco do motorista. Nesse momento, entendi que a professora tinha razão.

* Este conto fez parte do livro Antológicos, da turma de alunos do curos Formação de Escritores da Unisinos.
** Imagem retirada do site www.autoviacoes.com.br

terça-feira, 12 de março de 2013

Os Chinelos




- Eu não acredito. Você deixou a toalha molhada em cima da cama de novo? Faz sessenta anos que eu te peço para não fazer isso. Até parece que você não sabe que isso mofa as roupas de cama e a própria toalha. Sabe quantas horas isso ficou aqui? 24 horas. E com o frio que está fazendo, ela continua úmida. Eu te avisei que morar em uma casa na praia ia gerar esse tipo de problema. Pelo menos na capital eu tinha a Glórinha, que arrumava tudo e ia organizando o que você desorganizava.  Uma pena ela não querer vir com a gente, mas ela tinha os parentes dela. Falando em parentes, hoje é aniversário das gêmeas. Minhas sobrinhas-netas. Eu sei, você não quer que eu fale “nessa gente”. Só que estamos velhos, me sinto só. Nunca conseguimos ter filhos e você não quis nem pensar em adotar. Certo, nós dois sempre nos bastamos, que frescura é essa? você me pergunta. Mas você não acha que foi muito radical? Correu todos que estavam em nossa volta, primeiro os meus parentes - afirmando que eles só queriam o teu dinheiro -, depois os teus familiares – acusando-os de se aproximarem por desejarem cargos em suas empresas -, por último nossos amigos - que você classificou como mesquinhos, ignorantes e esnobes. No fim, você vendeu a empresa para estranhos, nos mudamos para esse fim de mundo e não somos convidados para evento nenhum, pois você se negou a conhecer os vizinhos. Não estou reclamando, apenas dizendo como me sinto. A viagem a Europa? É óbvio que a viagem a Europa foi maravilhosa. Foram os melhores dias da minha vida. Três meses indo de país em país. Nem a nossa lua-de-mel foi tão prazerosa. Não seja malicioso... embora eu ache o sexo hoje melhor do que quando era uma virgem de 17 anos. Eu sei que para ser virgem não se conhece o sexo, mas você entendeu e está fugindo do assunto. Com essa história de que todos se aproximam para tirar algo da gente, acabamos isolados. Quer alguns exemplos: ontem tive que correr de um lado para o outro para tomar as providências necessárias e, hoje de manhã, não havia ninguém para limpar as minhas lágrimas e o administrador teve que implorar para que eu soltasse a tua mão. Por que eu não soltava a tua mão? Ora, pois eu sabia que no momento que se seguiria, o seu rosto ia desaparecer dentro da caixa de madeira escura. Olha só, achei os teus chinelos favoritos. Você passou o final de semana resmungando que não os encontrava. Estavam bem aqui, embaixo da sua escrivaninha. E agora, é tudo o que me resta de você, e isso não me basta.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia 08 de Março





Para todas as mulheres que se viram em duas ou três. Que são mães, profissionais e companheiras, muitas vezes colocando os seus desejos de lado para atender os outros. A essas mulheres, que acordam cedo e fazem o mundo girar, sem ter preconceito com as outras presenças femininas. Que valorizam a amizade, mais do que o dinheiro e a vaidade. Aquelas que sabem se virar sozinhas e acompanhadas. Usam o seu direito de ir e vir, respeitando o dos outros também. Para aquela que não leva desaforo para casa e ainda se sente deprimida diante de tantas injustiças.

E lembrando a crônica da Martha Medeiros nesta última quarta (06/03), para todas as mulheres que não deixaram de ser... mulheres.

domingo, 3 de março de 2013

Aprovadíssimo: sorvete da Helados Chungo


Na revista Donna do dia 27 de janeiro de 2013, foi feita uma reportagem sobre sorveterias bacanas que foram abertas na cidade de Porto Alegre. Por adorar coisas diferentes, guardei a reportagem, e no último sábado fui na primeira listada: a Helados Chungo no Bourbon Shopping Wallig. Uma sorveteria argentina que resolveu fazer sua estreia aqui nos pampas.

Experimentei os sabores doce de leite e mousse de limão, e peguei uma provinha do marido, que pegou abacaxi e mousse de maracujá. Gente: é tudo de bom. O doce de leite é incrível, mas para quem gosta de novidades, observei que existem vários sabores diferentes, como o mirtilo.

Eu tenho por hábito começar com algo mais básico, para ver se eu gosto. Pois às vezes um sabor diferente não apetece e dificilmente eu voltaria ao lugar. Mas neste caso, só de escrever o post, fiquei com água da boca.

Em termos de valores, pode parecer salgadinho, eles partem de oito reais, mas a Chungos está com uma ótima promoção, que é compre um e leve dois (servindo de desculpa para passear com o marido, namorado, amiga, mãe...), equivalendo a um sorvete do Mac, só que mil vezes mais gostoso.
Fica minha dica para este finalzinho de verão: ir no Bourbon Wallig, ali no térreo, no corredor onde está a loja da Tam viagens e do Dado novo e experimentar esse sorvete dos deuses.