segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Um Planejamento Diferente


Uma das ansiedades mais gostosas que existem é a de planejar uma viagem. O frio na barriga, as pesquisas, e a contagem regressiva.

Devido à crise, demoramos em definir um destino. Queríamos sol, mangas curtas, e um local diferente. Ao comparar o valor de tudo, de subido resolvi por Portugal.

Caí no velho medo e fui cotar com a CVC. Só que desta vez me passaram um orçamento que não conseguiam cumprir. Não conseguiam confirmar o hotel, a cada dia um valor, e depois de quase uma semana de enrolação, quando liguei avisaram que não conseguiam o hotel prometido e sim um inferior com um custo maior.

Pela primeira vez deixei o stress de lado, fui para o TripAdvisor e encontrei o hotel desejado por um valor adequado. Pesquisei o Hoteis.com, aproveitei um desconto de férias que estava sendo oferecido, e num ato de coragem fiz a reserva.

Apesar da enrolação, acabei fechando com a CVC as passagens (mesmo preço do site da companhia, mas em 10x) e a assistência saúde (este sim, mais barato e também parcelado em 10x).

Para os passeios, entrei em contato com a brasileira Marina da Além Mar Turismo, que junto com o Rui, este português, oferece roteiros flexíveis para diversos pontos de Portugal. Tudo tratado via e-mail e whats. Pesquisei registro e opiniões e fui para o risco também.

Mas ao contrário do que se possa imaginar, fiquei confiante. Com uma certeza louca de que essa viagem seria muito legal, algo comprovado em 10 maravilhosos dias, onde não apenas descobrimos um destino maravilhoso como ganhamos novos amigos.

E tudo o que aconteceu vocês vão poder acompanhar na série: Descobrindo quem nos Descobriu, onde irei detalhar tudo o que vivemos e do qual já sentimos saudades.

domingo, 12 de julho de 2015

Um dia de domingo

A estrada era de chão batido. De terra vermelha. Os três meninos corriam, seus cabelos loiros se confundiam com a soja plantada.
- Tio Henrique! Tio Henrique! A nona chegou.

Henrique desligou a colheitadeira, com um sorriso nos lábios, colocou o mais novo na garupa.
- Mais rápido! Mais rápido! - Gritava Guilherme chegando às escadas da casa azul.

Tiraram os tênis e calçaram os seus chinelos. A mãe sempre dizia que eles podiam ser colonos, mas não eram porcos para encher de poeira a casa que mantinha limpa.

Vozes altas vinham da cozinha, o cheiro quase os vazia flutuar. O pai abria a garrafa de vinho, enquanto a tia Clodete passava um pano nas taças.

O bebê de Marina, a prima mais velha, dormia próximo a janela, cuja cortina dançava lentamente conforme a música do vento. A respiração calma do pequeno anjo de cabelos encaracolados, não impediam um súbito desejo de dar beijos estalados em suas bochechas.

Mas a prioridade era Nona Odete. E os meninos logo a cercaram, sentindo o seu cheiro de alfazema, tocando em seus cabelos de algodão, recebendo um abraço que os faziam sentir protetores e protegidos. 

A matriarca da família estava completando noventa anos. Seus olhos verdes brilhavam de forma especial, do tipo que só quem aproveita a vida possuí. Isso se refletia na parede onde ficava a grande mesa de madeira. Nela estavam as fotos de todos os casamentos, nascimentos, formaturas e viagens da família.

Quando o pequeno Guto nasceu, Cecília, a filha mais nova de Dona Odete, quase enlouquecera buscando um espaço.
- Meu velho, vamos ter que tirar a tua coleção de garrafas.
- Não.
- Sim.
- Vou transferir para a área da churrasqueira.

Apesar de ainda ser a dona da casa, a nona preferia viajar um pouco com cada um dos filhos e netos que havia se aventurado fora da fazenda. Apenas Cecília ficara com a sua família.

- Voar? Não sou passarinho. Deixa os meus pés bem aqui. Já me basta a agonia de saber que logo o meu Henrique será engolido por este mundo de Dio.

Agora Odete estava retornando de Paris. Seu marido havia prometido retornar nas bodas mais importantes. Neste ano completariam 75 anos juntos. Pela primeira vez, foi sem ele. Ninguém sabia, mas havia guardado um pouco de suas cinzas para jogar no Rio Siena. Agora ele estaria lá, sempre a esperando.

Havia apenas uma regra na família, todos deveriam sempre retornar a casa azul nas manhãs de domingo. Era quando a grande mesa enchia com os 4 filhos, 9 netos e 5 bisnetos.

- Dr. Pedroca chegou. - A voz estridente de Gabriela ecoou, fazendo o bebê abrir os seus olhos, espiar a loucura e voltar a dormir.

Pedro ajudou a esposa a pegar as filhas gêmeas. Sorriu ao ver a pintura renovada da sua casa de infância. Já andara pelos quatro cantos do mundo, mas era o único lugar ao qual chamaria de lar.

Sentaram-se todos a mesa, falavam ao mesmo tempo, brincavam, contavam histórias. Pão quentinho era colocado à mesa, junto com o grande prato de massa, seguido pelo de carne.

- Não esquece o queijo. 
- Eu quero a salada de batata da tia.
- Vocês esqueceram que eu estou de dieta?
- Mãe! Me serve.

Suco de uva para as crianças. Vinho para os adultos. Os pratos em segundos tinham os seus desenhos escondidos. 

- Uma taça fara bem para você e para o bebê - impusera tia Antônia.

O brinde, uma oração e todos se servindo.

Era mais um domingo. Era mais um ano. Era sempre uma celebração.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Parque Germânia



Na minha opinião este é um parque perfeito para o inverno. Por ter pouca sombra, é terrível caminhar pelo seu espaço nos dias de verão, sendo indicado no início da manhã ou no final do dia.

Mas no frio... os pequenos podem andar de bicicleta no calor do sol, os adultos podem lagartear na grama, muitos acompanhados pelo chimarrão.

Como o parque é cercado, passa uma sensação maior de segurança. O local é limpo e bem cuidado. Não raro, encontramos pessoas comemorando seus aniversários. Eu mesma já fui a um aniversário picnic realizado no Germânia e achei muito legal.

Também possui um espaço para estacionar carros, e por enquanto nenhum sinal de flanelinhas. Como o bairro que o cerca possui segurança 24 horas realizando ronda, imagino que isto afaste quem oferece estes cuidados.


Entre os seus espaços estão um lago, uma praça com brinquedo para as crianças, bocha, quadra de esportes, banheiros e cachorródromo. Além de diversos bancos espalhados pelo local.  

Em questão de acessibilidade, como ele possui muitas escadas devido à irregularidade do terreno, um cadeirante só poderá acessar o local pelas entradas principais.

A localização também é muito boa, próxima a dois shoppings, permite unificar mais de um passeio no mesmo dia sem grandes deslocamentos.

Os pontos negativos, além da falta de sombra no verão, a falta de educação das pessoas. O parque possui um cachorródromo, uma iniciativa ótima, onde os bichos podem ficar soltos e correrem livremente. Mas muitos donos insistem em andar com os seus bichos (alguns soltos) nos espaços onde crianças brincam e adultos caminham. Se a multa indicada nas placas fosse realmente aplicada, talvez esse problema fosse solucionado.

O parque também precisa de mais pontos com água, como ocorre na Praça da Encol. O local possui banheiros (não entrei, então desconheço os aspecto), mas eles ficam distantes. 

Para quem procurava um dia de passeio gratuito e agradável, fica a dica de conhecer o parque Germânia.

Endereço: s/n - Av. Túlio de Rose - Passo d'Areia, Porto Alegre - RS, 91340-010

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Café colonial: Recanto dos Plátanos


Todo ano bato ponto no FestMalhas na cidade gaúcha de Nova Petrópolis. E todo ano o dilema de onde almoçar. Já ocorreu de sairmos almoçados de Porto Alegre, de irmos cedo e depois ir para Gramado. Mas este ano resolvemos fazer diferente. 

O café Colonial Recanto dos Plátanos fica na BR116, em uma curva, um pouco antes de entrar na cidade propriamente dita. Já havia tentado ir em uma terça no mês de janeiro, mas o local estava fechado. Desta vez, indo em um sábado de evento, tivemos mais sorte.

Ele é diferente dos cafés de Gramado, invés de investir na quantidade, são menos itens, mas com aquele gosto caseiro. Na mesa os salgados, suco de uva, vinho, café e chá. Em forma de buffet muitos bolos, cucas e tortas. Além de mais alguns itens salgados como torta-fria.

Os atendentes são simpáticos e atenciosos. O ambiente limpo e bem decorado. Tem mesas mais reservadas para quem não quer ficar no meio da muvuca, e o preço está dentro do normal (R$ 45,00 por pessoa, criança pequena não é cobrada).

O que eu mais gostei: do suco de uva, do bolinho de aipim e de uma torta de chocolate.

O que eu menos gostei: do chá já adoçado e do pão de queijo um pouco cru.

Uma dica para quem quiser acessar da BR116: quando estiver perto da cidade, coloque o carro na pista da direita e ande devagar, é muito fácil passar reto pelo café.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Salve-se quem puder

Você está em casa, terminando de se arrumar, quando batem a porta. Você abre descansado, afinal o condomínio possui guardas e todo um arsenal de segurança, quando é surpreendido por ladrões.

Roteiro de filme americano? Não. Um ato rotineiro conforme a própria polícia de Porto Alegre.

Nos últimos meses a população parece estar dentro de um filme de faroeste. Acerto de contas em ruas movimentadas em plena luz do dia. Lojas arrombadas diversas vezes em um curto período de tempo, casas e apartamentos invadidos, sequestros, mães lutando para tirar seus filhos da cadeirinha antes do carro ser levado.

Renato Russo já perguntava nos anos oitenta que País é esse?. Se estivesse vivo, provavelmente teria muita munição para as suas músicas.

Leis em quantidade e não em qualidade, um judiciário preconceituoso, corrupção instalada em todas as áreas públicas. Não existe mais respeito. Não existe mais direito. A polícia sucateada. Saúde para poucos. Educação ninguém sabe onde se escondeu.

Enquanto o povo se divide entre petralhas e coxinhas, os políticos se abraçam nos bastidores, os impostos aumentam, os itens básicos não são atendidos. 

A conclusão de tudo isso? Hoje temos medo. Vivemos na ditadura da bandidagem. O exército que invade lojas e casas só não tem farda. O exército que transfere as nossas riquezas para o exterior só não tem medalha. O soldado que mata o pasteleiro na esquina só não bate continência.

Salve-se quem puder disse um delegado. O que resta pra nós?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Escravo

O céu estava azul.
Não aquele azul alegre, típico das tardes de verão.
Era um azul encolhido, com nuvens escuras sobrecarregando a sua visão.
Não eram nuvens de chuva.
Eram nuvens de frio.
O mesmo frio que lhe fazia doer os dedos.
Mesmo cheia de casacos, o vento lhe abatia a alma.
Pela segunda vez viu o mesmo homem deitado no chão. As sete ele estava envolto a cobertores velhos e papelão.
Ao meio-dia estava sem nada, aquecido pelos poucos raios de sol que o iluminavam.
A imagem curiosamente não era digna de pena. Pois enquanto ele estava relaxado, aquecido pela liberdade.
Ela estava compactada, sacrificando a vida por um dinheiro que só a gelava.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Turistando em POA: Linha turismo


Neste verão andei pela segunda vez na linha de turismo que apresenta a Zona Sul de Porto Alegre.

Ao contrário da linha que faz o centro histórico, ela possui apenas um ponto de embarque/desembarque: o largo da epatur.

Com duração de uma hora e meia, o ônibus de dois andares permite que se ande na parte fechada (piso inferior) ou aberta (piso superior). O passeio possui o acompanhamento de uma guia, responsável por apresentar um lado da cidade aos turistas e nativos.

No itinerário passamos pela rótula das cuias, pelo estádio Beira-Rio (pertencente ao segundo time do estado), o Guaíba, prédios públicos, shoppings, arquiteturas históricas, chegando aos bairros residenciais da Zona Sul (despertando o desejo de morar em um dos condomínios) até uma área rural, que te faz esquecer que está em uma capital.

Com a mudança do Grêmio para a Arena no Bairro Humaitá o caminho de volta passou por mudanças. Quando fizemos estavam fazendo uma parada teste em um mirante do DMAE (na época gratuito). Mas após a vista no alto de um morro, este não tem tanta graça. 

Na época o valor era R$ 25,00 por pessoa e realmente vale a pena, tanto para os que estão de passagem como para quem mora e desconhece a metade dos encantos de sua cidade.